Ótica e Ondas

Jaime E. Villate.
Universidade do Porto, Portugal, 2025.

3. Oscilações

3.1. Funções oscilatórias

Uma função oscilatória é uma função do tempo f(t), contínua, que varia entre dois valores limites, como no gráfico da figura 3.1, que pode representar o registo das vibrações num sismógrafo, ou um sinal elétrico num circuito, ou as variações de temperatura em torno de um valor médio, etc.

Figure 3.1: Função oscilatória.

A função oscilatória f(t) pode ser periódica, quando a oscilação durante um intervalo (período) repete-se indefinidamente. Nesse caso, a função pode ser decomposta numa série de Fourier, que é uma soma de funções seno e cosseno. Na secção seguinte estudaremos essas oscilações elementares em que f(t) é uma função seno ou cosseno.

3.2. Oscilações harmónicas

A oscilação periódica mais simples é quando a função oscilatória tem a forma de uma função seno:

f(t)=Asin(ωt+φ0)
(3.1)

A amplitude A é o valor máximo da função; o valor mínimo é A. a constante ω é a frequência angular, e φ0 é a fase inicial. A figura 3.2 mostra o gráfico da função. O tempo T entre dois instantes sucessivos em que a função tem o seu valor máximo é o período de oscilação.

Figure 3.2: oscilação harmónica.

A variação do argumento da função seno durante um período é ωT, que deverá ser igual a 2π radianos. Como tal, a relação entre o período e a frequência angular é a seguinte:

T=2πω
(3.2)

A frequência f é o número de oscilações por unidade de tempo, igual ao inverso do período:

f=1T=ω2π
(3.3)

No instante inicial t=0, o valor da função é fo=Asinφ0 e assim, a fase inicial é o arco seno da relação entre o valor inicial da função e a amplitude:

φ0=arcsin(f0A)
(3.4)

3.3. Movimento harmónico simples

Um objeto tem movimento harmónico simples quando se desloca ao longo de um eixo, por exemplo o eixo x, de forma que a sua posição em função do tempo é uma função harmónica:

x(t)=Asin(ωt+φ0)
(3.5)

A velocidade instantânea, derivada da posição em ordem ao tempo, é:

v(t)=Aωcos(ωt+φ0)
(3.6)

E consequentemente, em qualquer instante t a seguinte expressão permanece constante, igual ao quadrado da amplitude:

x2+(vω)2=A2
(3.7)

em particular, no instante inicial t=0 a expressão anterior permite determinar a amplitude em função da posição incial x0, e da velocidade incial v0:

A=x02+(v0ω)2
(3.8)

e a fase inicial é o arco seno da posição inicial sobre a amplitude:

φ0=arcsin(x0A)
(3.9)

3.4. Vetores de rotação

O movimento harmónico simples pode ser visualizado como a projeção de um movimento circular uniforme. O lado esquerdo da figura 3.3 mostra uma roda, de raio A, que roda em torno do seu eixo com velocidade angular ω, constante, no sentido contrário ao movimento dos ponteiros do relógio.

Figure 3.3: Projeção de um movimento circular uniforme num eixo.

Na periferia da roda há um pino P. A projeção da posição do pino no plano horizontal desloca-se entre dois pontos à distância A da projeção do eixo da roda no ponto O. Num eixo x com origem no ponto O e na direção do movimento da projeção de P, a posição da projeção de P é dada pela função x(t), que verifica a equação (3.5) do movimento harmónico simples.

Se colocarmos o eixo x passando pelo centro da roda (lado direito da figura 3.3), o vetor r, desde a origem O até o ponto P, tem módulo igual a A e componentes:

r=Asinφı^Acosφȷ^
(3.10)

onde o ângulo φ é o ângulo que o vetor faz com o semieixo y negativo. A velocidade angular do ponto P é ω, constante, igual à derivada do ângulo φ em ordem ao tempo. Como tal, φ é a primitiva de ω que em t=0 tem o valor inicial φ0:

φ=ωt+φ0
(3.11)

e a componente x do vetor r é a expressão (3.5) do movimento harmónico simples.

Se em vez do ângulo φ usarmos o ângulo θ que o vetor r faz com o semieixo x positivo, a expressão do vetor r será,

r=Acosθı^+Asinθj
(3.12)

e o movimento harmónico no eixo dos x que é a componente x desse vetor é igual a:

x(t)=Acos(ωt+θ0)
(3.13)

Como tal, o movimento harmónico pode ser representado por uma função seno ou cosseno, com fases iniciais diferentes. Também é possível fazer com que a fase inicial seja nula, mudando a origem da variável t. No caso da equação (3.5), se t=0 for escolhido como o instante em que x é igual a zero e está a aumentar, então φ0=0; e no caso da equação (3.13), se t=0 for o instante em que x tem o seu valor máximo, θ0=0.

3.5. Sobreposição de movimentos harmónicos perpendiculares

Consideremos uma partícula que se desloca no plano xy de forma que as duas componentes x e y da posição são ambas funções harmónicas. Começaremos por considerar ambas funções com a mesma frequência angular ω, mas com amplitudes A e B diferentes. O tempo pode ser contado a partir do instante em que x tem o seu valor máximo, e nesse instante admitimos que y não tem o seu valor máximo. Assim, as coordenadas da posição da partícula em função do tempo são:

x(t)=Acosωty(t)=Bcos(ωt+δ)
(3.14)

Vejamos como será a trajetória da partícula para alguns valores do desfasamento δ entre os dois movimentos harmónicos.

1. Quando os dois movimentos estão em fase, δ=0, a relação entre as componentes y e x é constante e igual à relação entre as amplitudes:

y=BAx
(3.15)

que é a equação de uma reta que passa pela origem, com declive positivo B/A. Mas como x varia entre A e A, a trajetória é um segmento de reta entre os pontos (x,y)=(A,B) e (x,y)=(A,B).

2. Quando o desfasamento é δ=π/2, a componente y é:

y(t)=Bcos(ωt+π2)=Bsinωt
(3.16)

e obtemos a seguinte relação:

(xA)2+(yB)2=1
(3.17)

que é a equação de uma elipse. A trajetória da partícula é uma elipse, com centro na origem e semieixos de comprimentos A e B, nas direções x e y.

Em t=0, x tem o seu valor máximo A e y é igual a zero; a partícula encontra-se no semieixo positivo x. Um instante mais tarde tanto x como y diminuem. Como tal, a partícula passa para o quarto quadrante. Isso indica que a elipse é percorrida no sentido dos ponteiros do relógio.

3. Se 0<δ<π/2, as coordenadas cartesianas da posição são dadas pela equação (3.14). Usaremos o método dos vetores de rotação para determinar a trajetória. A figura 3.4 mostra os vetores de rotação dos dois movimentos, com módulos A e B, em oito instantes t0, t1,…, t7.

Figure 3.4: Sobreposição de movimentos harmónicos perpendiculares.

No instante inicial, t0, o vetor correspondente à coordenada x encontra-se na sua posição máxima, enquanto que o vetor correspondente à coordenada y já rodou um ângulo δ em relação à sua posição máxima; a partícula encontra-se no ponto P0, de coordenadas x=A e y=Bcosδ.

Em t1, passa pelo ponto P1 com coordenadas x=Asinδ e y=0, no semieixo positivo x. Assim sucessivamente, até chegarmos ao instante t6 em que a partícula atravessa o semieixo positivo y; nesse instante, x=0 e a coordenada y onde a partícula cruza o semieixo y positivo é y0=Bsinδ. Em t7, a coordenada y da partícula tem o seu valor máximo ymáx=B. Comparando as coordenadas y dos pontos P6 e P7, temos que y0/ymáx=sinδ. Como tal, o desfasamento entre os dois movimentos harmónicos pode ser determinado a partir da relação entre y0 e ymáx:

δ=arcsin(y0ymáx)
(3.18)

4. Se π/2<δ<π, obtém-se uma trajetória elíptica semelhante à da figura 3.4, mas inclinada de forma que o eixo maior tem declive negativo, e a elipse é percorrida no sentido oposto ao movimento dos ponteiros do relógio. Em função da coordenada y0, onde a partícula atravessa o semieixo y positivo, e o valor máximo da coordenada y, o ângulo de desfasamento é igual a:

δ=πarcsin(y0ymáx)
(3.19)

Quando as frequências dos dois movimentos harmónicos são diferentes, mas a relação entre elas é um número racional, a trajetória da partícula é uma curva conhecida como figura de Lissajous. O exercício 3.3 mostra uma dessa figuras, no caso em que uma das frequências é o dobro da outra.

3.6. Dinâmica do movimento harmónico simples

A expressão da aceleração correspondente ao movimento harmónico simples (3.5) é a derivada da expressão (3.6) da velocidade, que conduz a:

a(t)=Aω2sin(ωt+φ0)
(3.20)

Esta é a mesma função x(t) da posição, multiplicada por uma constante:

a=ω2x
(3.21)

Como a aceleração é a segunda derivada da posição x em ordem ao tempo, esta expressão da aceleração implica a seguinte equação diferencial:

d2xdt2=ω2x
(3.22)

A solução geral desta equação diferencial é a função (3.5), com duas constante A e φ que dependem das condições iniciais, de acordo com as equações (3.8) e (3.9).

Usando a segunda lei de Newton, para produzir a aceleração (3.21) a força resultante sobre o objeto deverá ser:

F=mω2x
(3.23)

onde m é a massa do objeto. Este tipo de força é conhecida como força restauradora. A posição x=0 corresponde a um ponto de equilíbrio estável. Como a força resultante é nula nesse ponto, o objeto pode permanecer em repouso nessa posição. Se o objeto se afastar desse ponto, no sentido positivo de x, a força no sentido oposto faz com que regresse à posição x=0. E se o objeto se afastar no sentido negativo de x, a força será então no sentido positivo fazendo novamente com que o objeto regresse à posição de equilíbrio.

Em qualquer sistema em que a força resultante for da forma (3.23), o movimento será harmónico simples, com frequência angular ω. E qualquer sistema em que existe uma função do tempo que verifica uma equação da forma da equação diferencial (3.22), essa função será uma oscilação harmónica simples com frequência angular ω.

3.7. Molas elásticas

Uma mola elástica, quando tem o seu comprimento normal, não exerce nenhuma força. Quando a mola é comprimida ou distendida, esta exerce uma força diretamente proporcional à distância que foi comprimida ou distendida, e essa força é no sentido que faz a mola recuperar o seu comprimento normal.

A figura 3.5 mostra uma mola que foi pendurada de um suporte fixo. Se definirmos o eixo y na direção vertical, no sentido para cima, e com origem na posição em que o extremo livre da mola está na posição em que a mola tem o seu comprimento normal, a força exercida pela mola é na direção do eixo y e com valor:

F=ky
(3.24)

onde y é a posição do extremo livre da mola, e k é a constante elástica da mola.

Figure 3.5: Massa pendurada de uma mola elástica.

A seguir, penduramos um pequeno cilindro de massa m do extremo livre da mola. Sobre o cilindro atuam duas forcas, o seu peso mg, no sentido negativo do eixo y (para baixo) e a força exercida pela mola:

F(y)=mgky
(3.25)

A posição de equilíbrio, em que o cilindro pode permanecer em repouso, corresponde ao valor ye que faz com que a força (3.25) seja nula:

ye=mgk
(3.26)

O sinal negativo indica que a mola está esticada e o seu extremo desceu da posição em que a mola tem o seu comprimento normal. Para que o ponto de equilíbrio esteja na origem da coordenada de posição, introduzimos uma variável x, medida também na vertical e para cima, definida por:

x=yye=y+mgk
(3.27)

e com essa substituição de variável, a força resultante (3.25) fica igual a:

F(x)=kx
(3.28)

Esta força tem a forma geral da força restauradora (3.23), em que a frequência angular é:

ω=km
(3.29)

Se o cilindro for deslocado da sua posição de equilíbrio, x=0, começará a oscilar com movimento harmónico simples:

x(t)=Acos(ωt+θ0)
(3.30)

3.8. O pêndulo simples

Um pêndulo simples é um pequeno objeto de massa m, pendurado de um fio de comprimento , que pode oscilar num plano vertical (figura 3.6).

Figure 3.6: Pêndulo simples e diagrama de forças.

Desprezando a resistência do ar e a massa do fio, as duas forças que atuam sobre o objeto de massa m são o seu peso e a tensão no fio. O lado direito da figura 3.6 mostra essas duas forças e a direção tangente à trajetória, que é circular e de raio . A única força na direção tangencial é a componente do peso nessa direção, mgsinθ, em que θ é o ângulo que o fio do pêndulo faz com a vertical.

No movimento circular, o módulo da velocidade é igual ao raio, , vezes a velocidade angular Ω, que é a derivada do ângulo θ em ordem ao tempo:

v=Ω=dθdt
(3.31)

A aceleração tangencial é igual à derivada do módulo da velocidade em ordem ao tempo:

at=dvdt=d2θdt2
(3.32)

E a segunda lei de Newton implica que a aceleração tangencial também deverá ser igual à força tangencial dividida pela massa:

at=Ftm=gsinθ
(3.33)

onde o sinal negativo é porque se θ for positivo, sinθ também será positivo e a componente tangencial do peso faz diminuir θ (ver figura 3.6); e se θ for negativo, sinθ também será negativo e a componente tangencial do peso faz aumentar θ.

Igualando as duas expressões (3.32) e (3.33), obtemos a equação diferencial do pêndulo:

d2θdt2=gsinθ
(3.34)

Se o ângulo θ, em radianos, for suficientemente pequeno, sinθ será aproximadamente igual a θ; por exemplo, a diferença entre sinθ e θ é de 0.5% se θ=10, de 2% se θ=20, e de 4.5% se θ=30. Com essa aproximação, a equação (3.34) pode ser escrita:

d2θdt2=gθ
(3.35)

que é a equação diferencial (3.22) de um oscilador harmónico simples com frequência angular:

ω=g
(3.36)

A solução para o ângulo θ em função do tempo é então a expressão do oscilador harmónico simples:

θ(t)=θmáxcos(ωt+θ0)
(3.37)

O período do pêndulo simples é:

T=2πω=2πg
(3.38)

Como o valor g da aceleração da gravidade é diferente em diferentes locais, usaremos aqui o seu valor padrão, com 4 algarismos significativos:

g=9.807ms2
(3.39)

que é uma boa aproximação ao valor real de g em latitudes próximas de 40.

Exercícios resolvidos

3.1. Um ponto luminoso no ecrã de um osciloscópio oscila na vertical, com movimento harmónico simples de frequência 1.5 Hz. O comprimento do segmento vertical que o ponto descreve é 10 cm. Determine: (a) a sua frequência angular, (b) o seu período e (c) a sua velocidade máxima.

Resolução. (a) A frequência angular é igual a 2π vezes a frequência:

ω=2π×1.5=3πrad/s9.425rad/s

(b) O período é o inverso da frequência:

T=11.5=0.667s

(c) A amplitude do movimento é 5 cm, e a velocidade máxima é igual à amplitude vezes a frequência angular:

vmáx=5×9.425=47.1cm/s

3.2. Quando um cilindro de 50 g é pendurado duma mola elástica, tal como na figura 3.5, a mola alonga-se 16 cm. (a) Determine a constante elástica da mola. (b) Calcule o período de oscilação do sistema. (c) Se o cilindro é deslocado 5 cm por baixo da posição de equilíbrio e a seguir deixa-se oscilar livremente, determine a velocidade máxima no seu movimento oscilatório.

Resolução. (a) Na posição de equilíbrio, o peso do cilindro, mg=0.050×9.807 N, é igual à força elástica da mola, kΔy, onde Δy=0.16 m é o alongamento da mola. Como tal, a constante elástica é:

k=mgΔ y=0.050×9.8070.16=3.0647N/m

(b) O período de oscilação é:

T=2πω=2πmk=2π0.0503.0647=0.803s

(c) A expressão da posição em função do tempo, em unidades SI, é:

y=0.05cos(3.0647t)

e a expressão da velocidade é a derivada em ordem a t:

v=0.15324sin(3.0647t)

a velocidade máxima é 15.3 cm/s.

3.3. Trace a figura de Lissajous correspondente aos movimentos harmónicos:

x=10cos(5πt)y=10cos(10πt+π3)

Resolução. Os períodos dos dois movimentos harmónicos são:

Tx=2π5π=0.4Ty=2π10π=0.2

O período da trajetória é então 0.4 s. A seguinte tabela mostra os valores calculados de x e y para t entre 0 e 0.4, com intervalos de 0.04:

t x y
0 10 5
0.04 8.09 6.69
0.08 3.09 9.14
0.12 3.09 1.05
0.16 8.09 9.78
0.20 10.0 5.0
0.24 8.09 6.69
0.28 3.09 9.14
0.32 3.09 1.05
0.36 8.09 9.78
0.40 10.0 5.0

Com essas coordenadas x e y, e tendo em conta que os valores mínimos de x e y devem ser 10 e os valores máximos 10, obtém-se o seguinte gráfico:

3.4. Uma partícula move-se de tal forma que as suas coordenadas como funções do tempo são dadas por x=v0t e y=y0sinωt. (a) Represente graficamente a trajetória da partícula. (b) Que força é necessária para produzir este movimento? (c) Calcule os valores da velocidade e da aceleração como funções do tempo.

Resolução. (a) A trajetória da partícula é o gráfico de y em função de x. Substituindo t=x/v0 na expressão de y obtemos:

y=y0sin(ωxv0)

O gráfico seguinte mostra essa trajetória, entre x=0 e x=3πr, onde r=v0/ω.

(b) As componentes da velocidade, derivadas das coordenadas x e y em ordem ao tempo, são:

vx=v0vy=y0ωcosωt

e as componentes da aceleração, derivadas das componentes da velocidade em ordem ao tempo, são:

ax=0ay=y0ω2sinωt=ω2y

A força tem unicamente componente y, igual à massa m vezes a componente y da aceleração. A expressão vetorial da força é então:

F=mω2yȷ^

(c) O valor da velocidade é a raiz quadrada da soma dos quadrados das componentes da velocidade. Usando as expressões obtidas na alínea anterior,

v=vx2+vy2=vo2+y02ω2cos2ωt

Como a aceleração tem apenas componente y, o seu valor é igual à componente ay encontrada na alínea anterior:

a=y0ω2sinωt

3.5. Um pêndulo simples com 30 cm de comprimento é afastado 5 cm da sua posição vertical, deixando que comece a oscilar livremente. Determine: (a) O período de oscilação. (b) A expressão do ângulo que o pêndulo faz com a vertical, em função do tempo. (c) A expressão da velocidade angular do pêndulo em função do tempo.

Resolução. (a) Usando a expressão (3.38), o período é:

T=2πg=2π0.39.807=1.10s

(b) O ângulo que o pêndulo foi afastado da vertical foi:

θ0=arcsin(530)=0.1674rad

que é aproximadamente 9.6. A frequência angular é,

ω=g=9.8070.3=5.718

em rad/s se o tempo estiver em segundos. Como o pêndulo parte do repouso, a expressão do ângulo com a vertical é (unidades SI):

θ=θ0cosωt=0.1674cos(5.718t)

(c) A velocidade angular é:

ω=dθdt=0.957sin(5.718t)

3.6. Uma plataforma de 4000 kg vai ser usada para determinar o peso de camiões. A plataforma será colocada sobre três molas idênticas de constante elástica k. Admita que o peso do camião distribui-se por igual nas três molas. (a) Determine o valor máximo que poderá ter k, para que a frequência de oscilação da plataforma, quando não houver nenhum camião por cima, não ultrapasse 3 oscilações por segundo. (b) Se as molas tiverem a constante elástica calculada na alínea anterior, determine a frequência de oscilação da plataforma, quando sobre ela estiver um camião de 12000 kg. (c) Que distância desce a plataforma quando o camião entra nela?

Resolução. (a) Cada mola é um oscilador harmónico com massa igual à massa total (4000 kg) dividida por 3. Substituindo os valores da frequência e massa na expressão da frequência do oscilador harmónico obtemos:

3=12πk4000/3k=473.74 kN/m

(b) a frequência é:

f=12π473.74×10316000/3=1.50 Hz

(c) Sem o camião a distância que cada mola desce, devido ao peso da plataforma é dada pela lei de Hooke:

Δy=(4000/3)×9.807473.74×103=2.76cm

Quando o camião estiver sobre a plataforma, o alongamento de cada mola é:

Δy=(16000/3)×9.807473.74×103=11.04cm

A distância que a plataforma desce é a diferença desses dois alongamentos, igual a 8.28 cm.

3.7. Um cilindro com base circular de área A, altura h e massa m flutua num líquido com densidade ρ, ficando com uma parte de altura y fora do líquido, como mostra a figura. (a) Determine o valor de y quando o cilindro estiver em equilíbrio. (b) Se o cilindro for empurrado ligeiramente para baixo, diminuindo a altura y fora do líquido, mostre que começará a oscilar em torno da posição de equilíbrio e determine o período de oscilação (ignore a resistência do líquido ao movimento e as correntes que possam ser criadas dentro do líquido).

Resolução. (a) No cilindro atuam duas forças verticais: o peso mg, para baixo, e a impulsão I, para cima. Se o eixo y for vertical e para cima, a força resultante é na direção y e com valor:

F=Img

Pelo princípio de Arquimedes, a impulsão I é igual ao peso do volume de fluído deslocado. E esse peso é g vezes a massa de fluído deslocado, que é o volume da parte submersa do cilindro, A(hy), vezes a densidade do fluído. Assim, a força resultante em função de y é:

F(y)=Aρg(hy)mg

A posição de equilíbrio do cilindro será:

ye=hmAρ

A massa m do cilindro é igual ao produto da sua densidade ρc, e do seu volume, Ah. Como tal, a posição de equilíbrio pode ser escrita como:

ye=(1ρcρ)h

esta resposta é válida unicamente se o cilindro for menos denso do que o fluido (ρc<ρ). Se o cilindro fosse mais denso do que o fluido, a impulsão não seria suficiente para equilibrar o peso, e em vez de ficar em equilíbrio na superfície, o cilindro descia até o fundo do fluido.

(b) Introduzindo a mudança de variável:

x=yyey=x+hmAρ

a força resultante em função de x é:

F(x)=Aρgx

que tem a forma da força restauradora (3.23), com frequência angular:

ω=Aρgm

A posição x(t) tem então a forma da expressão (3.5):

x(t)=xmáxsin(ωt+φ0)

A altura do cilindro fora do líquido é:

y(t)=x(t)+ye=ye+xmáxsin(ωt+φ0)

que corresponde a uma oscilação com frequência angular ω. O período de oscilação é:

T=2πω=2πmAρg

Exercícios adicionais

3.8. Determine o comprimento que deverá ter um pêndulo simples para que o seu período seja de 1 segundo.

3.9. Quando um homem com 80 kg sobe para uma tábua horizontal apoiada em dois suportes, a tábua deforma-se, descendo 2.5 cm na posição onde está o homem. Se o homem dobra ligeiramente os joelhos e volta a esticá-los, a tábua começa a oscilar. Determine a frequência de oscilação da tábua, admitindo que a massa da tábua é desprezável comparada com a massa do homem.

Respostas dos exercícios adicionais

3.8. 24.8 cm.

3.9. 3.15 Hz.